O terceiro lugar em registros de condomínios abertos em 2025 pertence a uma cidade que não aparece entre as vinte maiores bases cadastrais do país. Com 207 registros daquele ano, Águas Lindas de Goiás fica atrás apenas de São Paulo e João Pessoa. Seu volume total, porém, é de 883 registros — uma escala distinta daquela das cidades que lideram o cadastro nacional.
Esse contraste é a principal pista para ler o levantamento do Observatório Condominial Auria, baseado nos dados abertos do CNPJ, com referência em julho de 2026. O ranking anual destaca onde estão os registros abertos em um período específico; o ranking total mostra onde se concentra a base cadastral ativa. As duas listas respondem a perguntas diferentes e, por isso, produzem prioridades distintas para quem acompanha o setor.
São Paulo lidera; a sequência muda conforme o recorte
No país, o levantamento identifica 5.779 registros abertos em 2025 e ainda ativos na data de referência. São Paulo ocupa a primeira posição municipal, com 703. A liderança se repete no volume cadastral total, no qual a capital paulista reúne 32.864 registros.
Depois dela, a ordem das cidades já não acompanha a hierarquia da base completa. Os dez primeiros lugares do ranking de aberturas de 2025 são:
- São Paulo (SP): 703 registros.
- João Pessoa (PB): 213 registros.
- Águas Lindas de Goiás (GO): 207 registros.
- Curitiba (PR): 178 registros.
- Rio de Janeiro (RJ): 154 registros.
- Belo Horizonte (MG): 141 registros.
- Porto Alegre (RS): 116 registros.
- Brasília (DF): 76 registros.
- Luziânia (GO): 75 registros.
- Santo André (SP): 69 registros.

A presença de cidades com bases cadastrais muito diferentes torna essa lista especialmente útil. Ela coloca lado a lado a liderança de São Paulo, que também encabeça o volume total, e municípios cuja posição anual não seria antecipada apenas pela consulta às maiores bases.
Águas Lindas expõe a diferença entre tamanho e composição
Águas Lindas de Goiás é o caso mais marcante desse desencontro. Seus 207 registros de 2025 colocam o município na terceira posição anual, embora sua base total de 883 registros esteja fora das vinte maiores do país. Na lista por volume, a vigésima colocada é Ribeirão Preto, com 2.661.
O contraste também aparece na comparação direta com Rio de Janeiro e Belo Horizonte. As duas capitais têm, respectivamente, 27.252 e 25.240 registros no total, ocupando o segundo e o terceiro lugares nacionais. No recorte de 2025, aparecem em quinto e sexto, com 154 e 141 registros. Águas Lindas, portanto, fica à frente de ambas na lista anual, apesar de ter uma base cadastral menor.
Isso não transforma o município goiano em um mercado maior que essas capitais. Mostra que a dimensão total e a presença de registros de uma determinada safra cadastral não são medidas intercambiáveis. Para avaliar escala, a base completa continua relevante; para localizar os registros datados de 2025, é necessário olhar a lista anual.
Luziânia reforça a diferença: figura em nono nas aberturas, com 75 registros, e tem 306 no total. Santo André, décima no ano, reúne 2.578 registros na base completa. Nenhuma das duas aparece entre as vinte maiores por volume cadastral.
João Pessoa também muda de patamar entre as listas
O destaque não se restringe aos municípios que estão fora das vinte maiores bases. João Pessoa ocupa o oitavo lugar em volume total, com 6.345 registros, mas aparece em segundo nas aberturas de 2025, com 213.
Curitiba está em quinto no total e em quarto no recorte anual. Porto Alegre, quarta em volume, é sétima nas aberturas. Brasília passa da sexta posição na comparação por base completa para a oitava na lista de 2025. São mudanças de posição entre critérios, não deslocamentos ao longo do tempo.
O artigo sobre as cidades com mais condomínios no Brasil oferece a leitura da distribuição do volume cadastral. Aqui, a conexão editorial está em perguntar como essa distribuição se relaciona com os registros de um ano específico. A resposta é que a liderança de São Paulo permanece, mas a ordem seguinte não se repete.
Como usar o contraste sem confundir os indicadores
Para administradoras e prestadores de serviços, a comparação pode orientar uma primeira seleção de municípios a investigar. Uma busca concentrada exclusivamente nas maiores bases deixaria Águas Lindas e Luziânia fora das vinte primeiras opções. Já uma seleção pelas aberturas de 2025 colocaria ambas entre as dez primeiras.
Nenhum dos critérios, isoladamente, determina demanda comercial ou oportunidade de contratação. A utilidade está em explicitar a pergunta: interessa localizar a maior base cadastrada ou examinar os municípios com mais registros de 2025? Cruzar as duas perspectivas evita tratar tamanho total e composição recente como sinônimos.
Há um limite metodológico essencial. O levantamento considera raízes de CNPJ com estabelecimento ativo e CNAE 8112500 principal ou secundário. Registro cadastral não equivale a prédio, e as aberturas anuais incluem somente registros ainda ativos em julho de 2026: não medem crescimento líquido. O total nacional é de 334.767 raízes únicas; somatórios municipais podem repetir uma raiz entre cidades. Os critérios estão detalhados na metodologia.
A próxima pergunta é quanto os registros de 2025 representam dentro de cada base municipal. O ranking de proporção de aberturas permite avançar nessa direção. Depois de identificar quem lidera em quantidade, cabe examinar o peso dessa safra cadastral em municípios de escalas tão diferentes.
