A liderança de Itaitinga aparece no denominador. Com 62 registros abertos em 2025 diante de uma base anterior de 134, o município cearense alcança 46,3% e ocupa o primeiro lugar no ranking proporcional do Observatório Condominial Auria. Não é a cidade com mais aberturas identificadas no ano. É aquela em que esse conjunto tem maior peso em relação à base anterior, entre os municípios elegíveis.
A distinção muda a leitura do mercado. São Paulo lidera em volume, com 703 registros de 2025, mas tem uma base anterior de 31.938. Itaitinga apresenta uma escala cadastral menor: são 201 registros no total do recorte de julho de 2026. Seu destaque está na relação entre o grupo de 2025 e o conjunto anterior, não no tamanho absoluto.
Para administradoras, síndicos e fornecedores, os dois rankings respondem a perguntas diferentes. Um localiza a maior quantidade de registros identificados com abertura naquele ano. O outro mostra onde essa quantidade é mais expressiva diante da base de comparação.
O que os 46,3% realmente medem
A conta de Itaitinga é direta: 62 divididos por 134, multiplicados por 100. O resultado, arredondado, é 46,3%. O denominador não é o total de 201 registros apresentado na página municipal de Itaitinga, mas a base anterior a 2025.
Isso significa que o indicador não expressa a participação das aberturas de 2025 no total cadastral atual. Ele compara dois conjuntos: os registros daquele ano e a base anterior. Trocar um denominador pelo outro produziria uma medida diferente da utilizada no ranking.
Também há um filtro de entrada: o ranking de proporção de aberturas em 2025 exige uma base anterior mínima de 50 registros. O limite se aplica à base de comparação, não ao total municipal nem à quantidade de aberturas no ano.
O critério importa porque uma proporção pode se tornar elevada quando o denominador é muito pequeno. Ao estabelecer um piso, a classificação restringe a comparação a municípios que já têm ao menos 50 registros na base anterior. Isso não torna as cidades equivalentes em escala, mas define uma condição comum de elegibilidade. A liderança de Itaitinga deve ser lida dentro desse universo.

Proporção dos registros abertos em 2025 em relação à base anterior, entre municípios elegíveis. Fonte: Observatório Condominial Auria, dados abertos do CNPJ, recorte de julho de 2026.
Um topo diferente daquele formado pelo volume
Depois de Itaitinga, o ranking proporcional traz Luziânia, em Goiás, com 75 registros de 2025 sobre uma base anterior de 204: 36,8%. Na sequência, Águas Lindas de Goiás reúne 207 registros do ano e base anterior de 566, chegando a 36,6%.
O contraste entre essas duas cidades ajuda a entender o indicador. Águas Lindas tem mais registros de 2025 do que Luziânia, mas também uma base anterior maior. Por isso, fica ligeiramente atrás na proporção. A posição não depende apenas do numerador.
Em quarto lugar está Novo Gama, também em Goiás, com 50 registros sobre uma base anterior de 195, ou 25,6%. Alvorada, no Rio Grande do Sul, aparece em quinto, com 43 sobre 246, equivalentes a 17,5%. Tamandaré, em Pernambuco, ocupa a sexta posição, com 14 sobre 83, ou 16,9%.
Já o ranking por quantidade de aberturas identificadas em 2025 começa com São Paulo, com 703, seguido de João Pessoa, com 213. Águas Lindas de Goiás aparece em terceiro, com 207; Curitiba, em quarto, com 178; e Rio de Janeiro, em quinto, com 154.
Águas Lindas é, portanto, o ponto de encontro entre os dois grupos: ocupa a terceira posição tanto em volume quanto em proporção. Seu caso mostra que as classificações podem coincidir, embora não sejam intercambiáveis.
Como levar a comparação para a decisão profissional
A leitura útil não é escolher um ranking e descartar o outro. Para uma empresa do setor condominial, o volume pode orientar uma primeira investigação sobre a quantidade de registros de abertura recente em cada município. A proporção acrescenta contexto: mostra o peso desse conjunto diante da base anterior.
Itaitinga chama atenção por essa segunda perspectiva. Seus 62 registros de 2025 são menores, em quantidade, do que os volumes das cinco cidades apresentadas no topo absoluto. Ainda assim, representam uma relação mais elevada com a base anterior entre os municípios elegíveis.
Esse contraste complementa a discussão sobre as cidades com mais registros condominiais no Brasil. Em vez de voltar à concentração do estoque cadastral, a pergunta aqui é outra: onde os registros de um ano específico têm maior expressão relativa? Separar essas dimensões evita transformar tamanho de mercado e proporção de aberturas em sinônimos.
O limite do cadastro e a próxima pergunta
Os dados do Observatório Condominial Auria consideram raízes de CNPJ com estabelecimento ativo e CNAE 8112500 como atividade principal ou secundária. Conforme a metodologia, as aberturas por ano incluem somente registros ainda ativos em julho de 2026. Portanto, não medem crescimento líquido nem recompõem todas as aberturas que ocorreram originalmente em 2025. Registro cadastral também não equivale a prédio.
Com esse alcance definido, o primeiro lugar de Itaitinga é um sinal para aprofundar a análise, não uma estimativa automática de demanda por serviços. O pacote não informa características operacionais, contratos ou necessidades desses registros.
A próxima pergunta para o setor é justamente essa: qual é o perfil dos 62 registros identificados em Itaitinga e que necessidades podem ser verificadas junto a eles? O ranking indica onde investigar; a avaliação comercial e operacional exige uma etapa adicional.
